Intestino - O órgão que merece uma atenção especial!
Intestino - O órgão que merece uma atenção especial!

Quando pensas no intestino, apenas o associas a um órgão, cuja principal função é eliminar resíduos (fezes), mas de facto as suas funções são bem mais importantes que isso.

Funcionamento do intestino

O intestino é uma das partes mais importantes do sistema digestivo e estabelece a ligação entre o estômago e o ânus.

Assim, o intestino delgado é a primeira parte, logo a seguir ao estômago e a mais comprida, onde se dá a absorção de alguma água e da maior parte dos nutrientes que ingerimos, através da alimentação!

O intestino grosso é a parte mais curta e que está mais próxima do ânus e é onde ocorre a maior absorção de água para o corpo.

Assim, o intestino participa na digestão dos alimentos, absorção de água e nutrientes e eliminação de toxinas e de outros produtos, que são excretados, sob a forma de fezes.

Mas, o intestino também participa na produção de hormonas e de neurotransmissores, que influenciam, tanto a saúde física, como mental.

Permeabilidade intestinal

As células que constituem a membrana que reveste a parede interna do intestino, chamam-se enterócitos e devem formar uma barreira sólida.

Sempre que aparecem fissuras entre essas células, determinadas substâncias, que deveriam estar limitadas ao aparelho digestivo, tais como: alimentos não digeridos, bactérias e resíduos, acabam por conseguir passar por essas fissuras e chegam à corrente sanguínea.

Portanto, a integridade do revestimento intestinal fica comprometida e começa a haver um fluxo de substâncias tóxicas, que passam para o sangue, o que desencadeia vários processos de inflamação.

Tudo isto, leva a que o próprio sistema imunitário fique confuso, atacando o próprio corpo, como se fosse um inimigo, o que explica, cada vez mais, o aparecimento de doenças autoimunes!

Microbioma intestinal

O nosso intestino tem cerca de mil bactérias, existindo cerca de 160 espécies diferentes, que o colonizam.

Esta combinação individual, conhecida como microbioma intestinal é tão distinta, como as impressões digitais e tem uma grande influência sobre a saúde e o bem-estar de cada pessoa.

A diversidade do microbioma intestinal começa a ser construída na infância e é afetada pela genética e pelo ambiente e mais tarde, pelas escolhas alimentares.

O microbioma intestinal influencia o funcionamento de vários órgãos, tais como: a pele, os pulmões, as glândulas mamárias e o fígado, além de permitir manter, um sistema imunitário forte.

Conseguir construir um microbioma intestinal forte, traduz-se em sáude fisica e emocional!

Provavelmente, já ouviste várias vezes a seguinte frase…

“A saúde e a doença, começam no intestino”

Bem, não se trata apenas de uma frase cliché, já que as últimas revisões científicas, feitas em 2020, apontam para que todas as doenças inflamatórias, tenham origem no intestino!

Não vale a pena, culpabilizares a genética, porque nem sequer temos genes suficientes, que expliquem as inúmeras doenças crónicas que estamos a desenvolver…

Portanto, não te esqueças que o que dita o teu destino, resulta da interação entre vários fatores, entre eles, a interação entre nós, indivíduos e o ambiente em que vivemos!

Uma alimentação rica em açúcares e em alimentos processados pode reduzir a diversidade bacteriana, que constitui o teu microbioma intestinal.

Sabias que a obesidade está associada a uma redução de até 40% dessa diversidade?

O que acontece é que a maioria das doenças inflamatórias, e a obesidade é uma delas, estão relacionadas com o aumento da permeabilidade intestinal.

A perda da função de barreira da mucosa intestinal, afeta o transporte de antigénios, o que tem efeitos negativos, na interação bidirecional entre o microbioma intestinal e o sistema imunitário.

Algumas doenças inflamatórias crónicas, associadas à permeabilidade intestinal:

  • Doença celíaca (intolerância ao glúten);
  • Doença inflamatória intestinal;
  • Diabetes tipo 1 e tipo 2;
  • Esclerose múltipla;
  • Espondilite anquilosante;
  • Obesidade;
  • Resistência insulínica;
  • Fígado gordo;
  • Dislipidemia;
  • Síndrome do intestino irritável;
  • Sensibilidade ao glúten;
  • Disfunção entérica ambiental (doença crónica que atinge a porção proximal do intestino);
  • Transtornos do espectro autista;
  • Esquizofrenia;
  • Depressão;
  • Fadiga crônica;
  • Cancro cerebral e hepático, …

As bactérias intestinais não são todas iguais…

As bactérias presentes no intestino, conseguem influenciar a expressão génica, através da ativação e desativação de certos genes, mas também conseguem controlar as respostas imunológicas.

Se por um lado, existem bactérias intestinais que inibem a inflamação, por outro lado, existem outras que a estimulam, o que parece ser um fator subjacente, em quase todos os tipos de cancro.

Por exemplo, as bactérias da família Bacteroides, conseguem aumentar a tua imunidade contra vírus…

Elas iniciam uma sequência de sinalização, que provoca a libertação do interferon-beta, cujo objetivo é proteger o organismo contra a invasão de vírus, ou seja, por um lado, estimulam as células do sistema imunitário a atacarem os vírus e por outro, promovem a autodestruição das células infectadas.

No entanto, existem microrganismos capazes de ativar respostas inflamatórias e romper as camadas de muco, que protegem contra invasores externos, criando um ambiente que favorece a inflamação e o crescimento de tumores.

Portanto, construir e manter um microbioma intestinal saudável pode ser decisivo para a tua saúde e longevidade!

A importância da Vitamina D para o Intestino

A grande maioria das doenças autoimunes tem um pilar comum…

Apresentam deficiência nos níveis de Vitamina D, os quais afetam a função da barreira intestinal, a própria composição do microbioma e têm ação direta sobre as respostas imunológicas.

Assim, é muito importante manter otimizados os níveis de vitamina D!

A importância dos Probióticos para o Intestino

Os 3 grupos de micróbios intestinais que compõem o microbioma humano são:

  • Bacteroidetes — Porphyromonas, Prevotella e Bacteroides;
  • Firmicutes — Ruminococos, Clostridium, Lactobacillus e Eubacteria;
  • Actinobactérias — Bifidobactérias (o tipo mais prevalente).

Essas bactérias:

  • Protegem a saúde “desalojando bactérias nocivas;
  • Competem com microrganismos patogénicos por nutrientes, inibindo micróbios patogénicos, por exclusão competitiva;
  • Induzem a síntese de imunoglobulina A (IgA) e reforçam a barreira da mucosa, modulando o sistema imunitário;
  • Beneficiam o hospedeiro sintetizando vitamina K, folato e biotina;
  • Promovem a absorção de sais minerais como magnésio, cálcio e ferro;
  • Ajudam a decompor alimentos e fermentam amidos resistentes à digestão;
  • Aumentam a integridade da barreira epitelial intestinal;
  • Aumentam a aderência de bactérias à mucosa intestinal, facilitando a sua colonização;
  • Produzem substâncias antimicrobianas e outras substâncias que ajudam a promover a saúde geral;
  • Promovem a perda de peso;
  • Ajudam a prevenir e a tratar o cancro colonretal.

Aliás alguns estudos mostraram existir uma associação entre determinadas espécies de bactérias e problemas de saúde específicos.

Por exemplo, níveis elevados de Bacteroides vulgatus, parecem estar associados à inflamação, resistência insulínica e alteração do metabolismo, enquanto níveis baixos de certas bactérias do grupo Firmicutes, têm sido associadas, especificamente, à acumulação de gordura na parte superior do corpo.

Como fortalecer o Microbioma intestinal?

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Quando o intestino é colonizado por populações de bactérias benéficas, consegue controlar os microrganismos patogénicos, impedindo que eles sejam dominantes.

Além disso estas bactérias ajudam a manter a integridade da barreira intestinal.

Assim, é muito importante:

  • Manter níveis ideais de vitamina D, porque ajudam a prevenir a permeabilidade intestinal;
  • Consumir probióticos;
  • Evitar tomar antibióticos, a menos que seja em casos de extrema necessidade, pois eles destroem, tanto as bactérias boas, como as más. O uso frequente de antibióticos provoca infecções secundárias e compromete o sistema imunitário;
  • Evitar o consumo de carnes e outros produtos, provenientes de animais submetidos à pecuária intensiva, uma vez que esses animais recebem doses baixas de antibióticos com frequência, além de serem alimentados com cereais geneticamente modificados e/ou tratados com glifosato;
  • Não consumir alimentos processados, uma vez que o excesso de açúcares presente neste tipo de alimentos, serve de alimento para as bactérias patogénicas;
  • Evitar o uso de sabonetes antibacterianos e produtos que contenham triclosano;
  • Não comer cereais, especialmente os integrais.

Repara que os cereais são as sementes de uma planta e qualquer planta não deseja que as suas sementes sejam comidas, senão elas acabariam por se extinguir.

Assim, elas usam uma estratégia evolutiva muito interessante…

As plantas desenvolvem substâncias tóxicas para que os predadores não as comam e as suas sementes possam cair e permanecer no solo, dando origem a uma nova planta!

A gliadina e as lectinas, são dois exemplos de componentes tóxicos, que podem provocar irritação digestiva, bem como uma grande variedade de outras queixas de saúde.

Porque se diz que o intestino é o nosso segundo cérebro?

Nós temos dois sistemas nervosos: o sistema nervoso central, composto pelo cérebro e medula espinal e o sistema nervoso entérico, o sistema nervoso intrínseco do trato gastrointestinal.

Durante o desenvolvimento embrionário, os dois evoluem a partir de tecidos idênticos…

Um transforma-se no sistema nervoso central, enquanto o outro forma o sistema nervoso entérico, mas ambos estão conectados, por intermédio do nervo vago, o décimo nervo craniano que vai desde o tronco cerebral até ao abdómen.

Atualmente, sabe-se que o nervo vago é a via, que as bactérias intestinais, usam para transmitir informações ao cérebro.

Portanto, já existem várias pesquisas que mostram, que a composição do microbioma intestinal, pode ter uma enorme influência sobre saúde psicológica e o bem-estar, podendo afetar, tanto o humor, de uma forma geral, como o risco de desenvolver disfunções mentais mais sérias!

A conexão entre a saúde mental e a saúde intestinal é tão forte, que já há quem diga que os probióticos podem ser o novo Prozac.

Quando o microbioma intestinal está equilibrado, sentes-te com mais energia, mas quando o microbioma tem falta de bactérias saudáveis, as pessoas perdem desempenho e sentem-se fisicamente esgotadas.

Já foi referido que existem muitos fatores que podem alterar a saúde intestinal para melhor ou para pior, como a alimentação, o estresse, o consumo de álcool, o excesso de peso, … mas todos eles podem ser, facilmente, controlados.

No entanto existe um, que não podes controlar, a idade!

De facto, o microbioma sofre alterações na sua composição, à medida que envelhecemos!

Repara que uma criança consegue passar várias horas a brincar, enquanto que um universitário pode estudar várias horas e até fazer noitadas, sem acusar cansaço!

Contudo, a saúde intestinal das pessoas mais velhas, é bem diferente da de pessoas muito mais jovens, e isso tem reflexo nos níveis de energia, na função cognitiva, na força muscular e na imunidade.

A boa notícia é que ter um intestino com bactérias intestinais saudáveis, faz toda a diferença na forma como envelheces.

Conclusão

O intestino é um órgão muito importante e que merece uma atenção especial!

Se começares a cuidar do teu intestino hoje, estás a garantir, no futuro, não só a tua saúde física, mas também a tua saúde mental.

Construir um microbioma forte e constituído por bactérias benéficas e uma barreira intestinal forte e sem permeabilidade, faz toda a diferença!

Não te desculpes com a genética, porque nós somos o resultado da interação entre vários fatores e os genéticos, são apenas um deles!

Se fizeres uma alimentação correta, evitares alimentos processados, açúcares e apostares em comida de verdade, como: carne de animais alimentados a pasto, peixes gordos selvagens, ovos, frutas, legumes, alimentos fermentados, probióticos e apanhares sol, para manteres otimizados os teus níveis de vitamina D, vais aumentar o teu sistema imunitário e construir um intestino saudável.

Construir um microbioma forte e diversificado, repleto de boas bactérias, vai manter-te afastado de doenças inflamatórias e doenças autoimunes!

Como diz o velho provérbio …

“Não deixes para amanhã, o que podes fazer hoje”

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Sobre o Autor

Carla Coelho
Carla Coelho

Olá o meu nome é Carla Coelho e este é o Blog Poder e Disciplina. Aqui, eu e o meu marido, compartilhamos conteúdos de alto valor sobre treino, dieta, saúde e sucesso. Sou Licenciada em Biologia, no ramo científico pela Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e sempre trabalhei como Técnica Superior de Laboratório na área de Análises Clínicas. Ao longo da minha vida sempre fui treinando e sempre me interessei muito por treinos, dieta, saúde e sucesso! Hoje o meu principal foco é tentar passar todo o meu conhecimento nestas áreas e ajudar qualquer um a melhorar a saúde de forma natural, fazendo dos alimentos os seus medicamentos!

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